Leitura antes da prescrição
Nenhum sistema é proposto antes de entendermos como a operação funciona hoje. Entrevistas com quem opera, mapeamento de exceções, observação no chão. O contrato definitivo só vem depois desse exercício.
Módulo Central é um estúdio brasileiro de engenharia de software fundado em 2012, em São Paulo. Trabalhamos com indústria, logística e serviços financeiros. Quatorze anos, trinta e sete sistemas em produção, uma sala bem iluminada no Itaim Bibi.
O estúdio nasceu em junho de 2012, na sala 14 de um prédio compartilhado na Vila Madalena. Éramos três engenheiros e uma diretora administrativa que aceitou trabalhar conosco antes mesmo de existir empresa formal. A hipótese fundadora era razoavelmente arrogante para a época: acreditávamos que sistemas corporativos brasileiros poderiam ser bem escritos, bem documentados e mantidos por décadas — desde que alguém aceitasse fazer isso desde o primeiro dia.
Quatorze anos depois, o teste empírico se materializou em trinta e sete plataformas em produção, das quais vinte e quatro foram escritas pela Módulo Central ou estão sob nossa manutenção continuada. Algumas operam ininterruptamente desde 2014. Há um sistema de gestão de frota, escrito em 2015, que ainda processa todos os roteiros de um operador no interior de Minas Gerais. Sem reescritas. Sem migrações forçadas. Apenas manutenção evolutiva, semana após semana.
Não dizemos isso por nostalgia. Dizemos porque permanência é, para nós, um critério editorial. Sistemas que duram são, em geral, sistemas que respeitaram a operação desde a primeira linha de código — e operadores que confiaram que o tempo dedicado ao discovery valeria a pena no segundo ano. Esse contrato implícito é o que estamos sempre tentando honrar.
O que segue, nesta página, é a forma como organizamos esse trabalho.
Princípios editoriais · Quatro tópicos
Quatro princípios que aparecem nos contratos, nas reuniões internas e na forma como escrevemos código. São revisitados em assembleia anual e atualizados quando a prática mostra que mudou.
Nenhum sistema é proposto antes de entendermos como a operação funciona hoje. Entrevistas com quem opera, mapeamento de exceções, observação no chão. O contrato definitivo só vem depois desse exercício.
Escrevemos para que uma engenheira que entre no projeto daqui a três anos consiga ler, entender e modificar sem precisar nos chamar. Documentação é parte do entregável, não anexo.
Relatório trimestral à diretoria, ritual semanal de revisão e métrica pública. Não há projeto da Módulo Central sem um conjunto de indicadores que a diretoria do cliente possa ler em quinze minutos.
Toda parceria nossa tem cláusula de saída escrita. Se o cliente decidir trazer o trabalho para dentro de casa, recebe o sistema documentado, a equipe treinada e o tempo necessário para a transição. Sem ressentimento.
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Permanência não é virtude do estúdio. É consequência de tratar a operação como leitora atenta, e não como cliente apressada.Marcos Sayão · Sócio-fundador · Módulo Central
Quadro técnico · Pessoas nomeadas
Vinte e oito profissionais no estúdio. Abaixo, o quadro técnico responsável pelas conversas com clientes. Toda equipe operacional tem responsável nomeado em contrato.
Coordena a prática técnica desde 2014. Doze anos no banco antes de ingressar no estúdio. Lê escopo de contrato com a mesma calma com que lê um livro.
Fundou o estúdio em 2012. Trabalha hoje exclusivamente com arquitetura de sistemas e revisão de propostas. Mantém o caderno trimestral do estúdio.
Conduz o capítulo de dados desde 2019. Anteriormente em operadora de saúde de grande porte, onde coordenou a primeira camada analítica auditada da empresa.
Engenheiro de plataforma. Cuida das nuvens dos clientes, dos relatórios de custo e do plantão técnico. Mantém o sistema de incidentes do estúdio.
Coordena o discovery técnico dos novos projetos. Vinte anos em produto digital, sete deles em uma cooperativa de crédito do Sul do país.
No estúdio desde a fundação. Responsável por contratos, conformidade fiscal e pelas conversas que antecedem qualquer assinatura. Lê acordo melhor do que advogado.
Cronologia · Marcos do estúdio
Marcos que aparecem nas conversas internas com mais frequência. Nem todos foram bons. Vários produziram aprendizado mais sólido do que os anos sem percalço.
Três engenheiros e uma diretora administrativa, em uma sala compartilhada. Primeiro contrato fechado em outubro: sistema de gestão para uma indústria de embalagem em Campinas.
Assinamos a primeira manutenção evolutiva de cinco anos com operador logístico de Minas Gerais. O sistema escrito naquele ano segue em produção, em uso diário, em 2026.
Inauguramos a prática de engenharia de dados aplicada com Renata Maranhão. Primeiro projeto: camada analítica auditada para cooperativa de crédito em Curitiba.
Estendemos o plantão em horário comercial para cobertura presencial em cinco estados. Decisão tomada após noventa dias de operação remota integral, que revelou o que havia faltado antes.
Começamos a publicar a edição trimestral em texto longo, em português. Quatro números até hoje. Distribuição apenas por solicitação direta.
Vinte e oito profissionais no quadro, trinta e sete sistemas em produção sob manutenção. Conselho técnico recém-instalado, com participação de duas conselheiras externas.
Convite editorial
Escreva contando o que a sua equipe operava em 2018, o que opera hoje e o que pretende operar em 2028. A conversa começa daí. Respondemos em até dois dias úteis.
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